Bate e volta no RJ

Bate e volta no RJ

maio 16, 2022 0 Por linhares

Por ocasião do dia das mães, dei um “pulo” no Rio de Janeiro passando pelo sul de Minas. Foram cinco dias de viagem entre 4 e 9 de maio, quase seis anos da última vez que fui de moto! Ainda demorei a ir com a CRF1000L porque coloquei pneus de off road e não queria gastá-los. Agora já chegou a hora de trocar o pneu traseiro e, com tempo seco, não me importei de explorá-lo um pouco mais!

Quarta-feira

No primeiro dia rodei 618 km até Sacramento – MG. Saí cedo de Brasília pela BR-040, mas peguei sentido Caldas Novas. Queria variar um pouco o roteiro e deixar a rodovia principal para o caminho de volta. Acabei repetindo em parte o percurso que fiz com meu pai em 2012 (vide fórum)!

Em Luziânia encontrei com o mestre Elmar seguindo em sentido contrário. Paramos para um prosa rápida e depois continuei pelo interior de Goiás. Abasteci próximo a Marzagão e logo parei para almoçar na margem goiana do rio Paranaíba. Atravessei a ponte para Minas Gerais e segui para Araguari.

Cortei por dentro da cidade até o distrito industrial e segui para cidade de Indianópolis. Há muito tempo queria visitar esta cidade que foi aldeamento de indígenas na época do Brasil colônia. Observei poucos prédios históricos, mas achei a cidade muito bem cuidada! Tirei foto na igreja dos índios e segui para a balsa que atravessa o rio Araguari, antigo Rio das Velhas.

A balsa estava ocupada por um caminhão munck que foi utilizado no resgate de um barco que havia afundado durante a noite. O caminhão saiu e a balsa zarpou apenas com a minha moto. Na tabela o preço mais barato era R$ 30,00 para um automóvel e este foi o preço cobrado. Do outro lado do rio, percorri alguns km de estrada de terra com um pouco de areia até a BR-452.

Peguei a MG-190 que possui um trecho de estrada de chão antes de cruzar a BR-262. Eu tinha visto no mapa que era preciso dar uma volta grande para desviar deste trecho e resolvi seguir por aqui mesmo, embora já passasse das 16h. A estrada começou boa, mas após um vilarejo surgiram trechos de poaca. O pior é que três caminhões bi-trem cheios de bagaço de cana levantavam uma nuvem de poeira! Pensei um pouco se ultrapassava ou não, mas acabei resolvendo seguir logo após um carro de passeio. No entanto, eu não conseguia nem ver o carro! Consegui ultrapassar e cruzei um trecho de muita poaca onde a lateral da pista estava coberta de poeira. Cheguei no asfalto um pouco depois das 17h e continuei no rumo de Sacramento – MG.

Acontece que logo à frente estava tudo branco como se fosse chuva… chegando mais perto vi que era neblina, mas uma neblina bastante forte que deixou o piso molhado e fez a noite cair mais cedo! Esses últimos quilômetros foram bem tensos! Eu segui o tempo todo atrás de um carro e uma moto enquanto havia outros veículos atrás de mim. Fiquei aliviado ao chegar na cidade! Ainda me preocupei com o piso de paralelepípedo molhado, mas não tive problemas com o pneu Karoo 3 traseiro. A cidade é um pouco menor do que eu imaginei. Segui para a praça da matriz e me instalei no hotel da esquina.

Quinta-feira

Após as desventuras do primeiro dia, abandonei a ideia de explorar trechos off-road na região. Segui no rumo sul atravessando o Rio Grande, divisa entre Minas e São Paulo. Depois da cidade de Pedregulho, mudei o rumo para o leste passando por estradas vicinais que estavam com obras de recapeamento de asfalto. Um funcionário da obra me confirmou que o trecho era todo asfaltado e sugeriu que eu fosse até a represa de Peixoto. Essa ideia me pareceu interessante, mas eu curti tanto o visual deste trecho que me dei por satisfeito e segui direto para a cidade de Ibiraci, novamente em Minas Gerais. Afinal, meu objetivo era apenas desviar das rodovias duplicadas na região de Franca – SP.

Depois de Cássia segui para Passos, no sentido contrário ao que fiz quando voltamos da Canastra. Próximo a Furnas, tomei o cuidado de deixar a MG-050 e seguir para a barragem que nós não visitamos da última vez. Aqui eu vi a placa do morro dos cabritos e subi o pequeno trecho que mistura chão batido com asfalto até o mirante. O visual daqui é muito bacana! Pode-se observar a ponte da MG-050 sobre o Rio Grande lá embaixo. Tirei algumas e fotos e desci.

Segui contornando o lago através das cidades Alterosa, Areado e Alfenas. Este trecho possui longas pontes cortando o espelho d’água e ao final se torna bastante sinuoso. Parei um pouco antes da cidade de Varginha e, como ainda estava cedo, consultei o google maps para decidir o ponto de parada. Fiquei bem contente em identificar que São Thomé das Letras não estava distante. Esta é uma cidade que eu sempre quis conhecer! Toquei para lá, onde cheguei no fim da tarde a tempo de observar o pôr-do-sol.

Sexta-feira

Parti em direção a Cruzília pela mesma estrada que chega em São Thomé, mas que agora era de chão batido com alguns poucos trechos calçados. Região muito bonita por onde passa o caminho velho da Estrada Real! Atravessei por dentro da cidade mudando o rumo para o sul e continuei até a BR-267 onde segui para o leste. Achei que haveria algum posto no trevo, mas precisei rodar cerca de 10 km na reserva até abastecer.

Entrei em Bom Jardim de Minas e segui para Santa Rita de Jacutinga por uma serra bem travada que eu já conhecia de outras viagens. Até fiz sinal para um carro me ultrapassar de modo que eu ficasse mais à vontade nas curvas. Quase chegando na cidade, a estrada se transforma num caminho de fazenda por algumas centenas de metro. Me pareceu que o desvio foi causado por uma queda de barreira não muito recente. Atravessei Santa Rita e segui no rumo de Conservatória. Em outras oportunidades eu havia preferido passar em Rio Preto antes de chegar a Valença. Fiquei feliz de cruzar a divisa MG/RJ, mas este trecho consegue ser mais travado do que o anterior! Se antes eu rodava em 3ª marcha, aqui dificilmente eu saía da segunda!

Parei no mirante da Serra da Beleza, que eu tinha visto em vídeos do canal “Vão Bora Rodar” e realmente está muito bonito! Não só o visual como também a pequena infraestrutura criada para os turistas. Um pouco à frente outra parada obrigatória: a ponte dos arcos, onde passava a linha de trem. Dentro de Conservatória tem outro lugar muito interessante que é o “túnel que chora”, mas desta vez eu não o visitei. Segui direto para Valença para rever os amigos.

Domingo e Segunda-feira

Após um dia e meio de descanso, estiquei até Piraí para um almoço de dia das mães com meus familiares. De lá segui para Três Rios passando por Mendes e Vassouras. Fiquei surpreso com a BR-393 que não é muito sinuosa neste trecho e permitiu uma velocidade de cruzeiro maior. Entrei na BR-040 e segui até Barbacena – MG onde pernoitei.

No dia seguinte peguei a estrada por volta das 07:30 h fazendo paradas rápidas e cheguei em Luziânia, entorno de Brasília, pouco depois das 18 h. Mais 50 min de trânsito estava em casa! Essa parte final tem trânsito intenso, mas pelo menos é na área urbana e conta com iluminação pública.

Neste último dia abasteci apenas duas vezes, em Paraopeba e João Pinheiro, confiando na autonomia de 300 km da moto. Deu certo e a reserva acendeu apenas quando já estava no DF. Não anotei exatamente o consumo, mas foi bem econômico porque eu mantive uma velocidade de cruzeiro relativamente baixa. Gosto de fazer isso para diminuir a quantidade de ultrapassagens e poder rodar sozinho na pista a maior parte do tempo.

Em Cristalina, ainda tive um pequeno detour. Na intenção de desviar do pedágio, acabei acessando a GO-309 e precisei fazer meia-volta. A entrada correta fica em uma rua de asfalto pouco antes da praça de pedágio. O trecho de chão é bem tranquilo e eu queria conferi-lo porque acho válido desviar do pedágio quando estamos rodando por estradas de terra sem utilizar a BR-040 que está sob concessão.

Epílogo

Desde que troquei a Twister na XT660 e comecei a empolgar com viagens de moto, este rolê para o RJ sempre foi o meu favorito! Aliás, o motivo de adquirir a V-Strom foi porque a XT ficava com a frente muito leve nas velocidades mais altas que eu utilizava na BR-040 em ultrapassagens. Depois veio a fase de off road e eu adquiri a CRF250L que também me levou até lá!

Cada moto teve uma vibe diferente. Com a XT660 eu pegava estrada de terra apenas no final, porque realmente ainda não haviam asfaltado. Na V-Strom eu seguia tudo por asfalto. Com a 250L eu fiz um roteiro meio doido encarando qualquer caminho que vinha pela frente! Agora tentei encontrar uma rota bigtrail com deslocamento principal por asfalto e alguns atalhos por estrada de terra. Todos foram muito legais, afinal “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”!

Abraços, Linhares